Doutoramento em Estudos da Criança, especialidade de Saúde Infantil

20Realizaram-se no dia 29 de maio de 2017, às 14h30, as Provas de Doutoramento em Estudos da Criança, na especialidade de Saúde Infantil requeridas pela Mestre Denise Martins Rocha, tendo como orientadora a investigadora do CIEC Maria da Graça Ferreira Simões de Carvalho. O júri foi presidido pelo Doutor Bento Duarte Silva, tendo estado presentes os seguintes vogais: Doutora Maria da Graça Ferreira Simões de Carvalho, da Universidade do Minho; Doutor Samuel Joaquim Moreira da Silva, da Universidade do Porto; Doutora Zélia Ferreira Caçador Anastácio, da Universidade do Minho; Doutora Sandra Susana Pires Silva Palhares, da Universidade do Minho; e a Doutora Rosa Branca Tracana Pereira, do Instituto Politécnico da Guarda. Justificou a sua ausência o Doutor Dominique Berger, da Universidade Claude Bernard, França. No final, o júri deliberou, por unanimidade, aprovar a candidata atribuindo-lhe, por maioria, a menção de “Muito Bom”.

Título da Tese:Contributo das atividades artísticas no bem-estar e qualidade de vida de crianças em tratamento oncológico: um estudo no IPO do Porto e no GACC da Bahia

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Resumo: A criança hospitalizada, em particular a criança em tratamento oncológico, está sujeita a um elevado grau de stresse, desde o diagnóstico da doença até às diferentes etapas do tratamento que, através de procedimentos por vezes severos, longos ou curtos, são perturbadores do seu bem-estar. Assim sendo, é de fundamental importância o acompanhamento destas crianças de modo a amenizar estes efeitos que desequilibram o seu desenvolvimento e quotidiano. A educação artística tem vindo a desempenhar um importante papel neste contexto de apoio pedagógico na oncologia pediátrica. O objetivo deste estudo foi conhecer os parâmetros e os contributos da prática das atividades artísticas (AA) na melhoria do bem-estar das crianças com cancro enquanto em fase de tratamento. Realizou-se um estudo de caso em duas instituições, uma em Portugal (Instituto Português de Oncologia do Porto – IPO-P) e outra no Brasil (Grupo de Apoio à Criança com Câncer – GACC) em Salvador da Bahia. Para tal, foram aplicados cinco instrumentos de recolha de dados: i) Observação não participante, a qual se centrou em examinar como os sujeitos de assistência à criança e cuidadores principais interagiam com as crianças, como desenvolviam as atividades com elas, como se articulava a interação dos grupos com o espaço, e como as próprias crianças desenvolviam as AA; ii) Entrevistas a elementos chave das instituições relacionando com as características dos serviços, para identificação de aspetos gerais de funcionamento; iii) Questionário de sondagem, com perguntas gerais a respeito das AA realizadas pelas crianças durante o tratamento no IPO-P, aplicado a 32 inquiridos de três grupos (crianças, pais e equipa de assistência à criança) com o intuito de obter um conhecimento inicial da situação; iv) Questionário AAACTO (Atividades Artísticas Aplicadas às Crianças em Tratamento Oncológico), baseado no anterior e nas entrevistas, com 46 itens divididos em 5 partes, com questões mais específicas sobre as AA e no intuito de conhecer, compreender e comparar as práticas de AA nas duas instituições e de reconhecer a importância do papel da educação artística na melhoria da qualidade de vida da criança com cancro em tratamento hospitalar. Foi aplicado a um total de 150 sujeitos, (75 do IPO-P e 75 do GACC) distribuídos por três grupos (crianças, pais e equipa de assitência à criança); v) Desenhos sobre três temas (retrato, família e medo) de crianças e jovens em tratamento oncológico, em que se procurou identificar e interpretar a simbologia imagética da expressão visual, num total de 40 amostras: 20 desenhos de 12 crianças do IPO-P e 20 desenhos de 9 crianças do GACC. No conjunto dos principais resultados obtidos dos instrumentos utilizados na recolha de dados foram observadas semelhanças e diferenças entre as práticas das duas instituições, mas o efeito das AA foram sempre consideradas positivas por todos os grupos questionados (crianças, pais e equipa de assistência). Em síntese, verificou-se que as crianças e jovens preferem estar na Sala de Brincar (IPO-P) e na Brinquedoteca (GACC), e revelou-se que as atividades artísticas no âmbito de tratamento oncológico pediátrico promovem: i) A integração social das crianças quando estão com o próprio grupo e com outros indivíduos, mantendo-se ativas e próximas da normalidade da vida quotidiana; ii) A melhoria da autoestima quando se sentem valorizadas ao verem os resultados dos seus próprios trabalhos; iii) A melhoria do bem-estar e do comportamento demonstrados em boa disposição e extroversão na realização das atividades; iv) O auxílio na aprendizagem de outras disciplinas, na superação emocional e física durante esta prática mesmo nas situações mais complexas, como a recaída da doença, pós-quimioterapia e tristeza; v) Na evasão à própria doença e do local em que a criança está inserida para tratamento; vi) Na expressão e comunicação das emoções principalmente através dos desenhos, mas também noutras modalidades de expressão, como a pintura e a música. A partir da experiência e das conclusões obtidas, será constituído um guião que poderá ser aplicável no âmbito da pediatria de instituições, públicas e privadas, de carater hospitalar ou de serviço social. Espera-se ainda que este trabalho seja aprofundado em  studos posteriores, pois o efeito das atividades artísticas no bem-estar das crianças em tratamento oncológico revelou-se ser de fundamental importância para a sua saúde e bem-estar.

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