Doutoramento em Ciências da Educação, especialidade em Educação Matemática

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Realizaram-se no dia 19 de abril de 2017, às 14h, as Provas de Doutoramento em Ciências da Educação, especialidade em Educação Matemática, requeridas pelo Mestre João Filipe Pereira de Sousa, tendo como orientador o investigador do CIEC Pedro Manuel Baptista Palhares. O júri foi presidido pelo Doutor Nelson Manuel Viana Silva Lima, tendo estado presentes os seguintes vogais: o Doutor Pedro Manuel Baptista Palhares, da Universidade do Minho; o Doutor José António da Silva Fernandes, da Universidade do Minho; a Doutora Isabel Maria Cabrita dos Reis Pires Pereira, da Universidade de Aveiro; a Doutora Darlinda Maria Pacheco Moreira, da Universidade Aberta; e a Doutora Ema Paula Botelho Costa Mamede, da Universidade do Minho. No final, o candidato foi aprovado, por unanimidade, com a menção de “Muito Bom”.

Título da Tese: “Matemática fora e dentro da escola: Pescadores e Calafates”              

13Resumo: Perante a evolução da Matemática e da Educação Matemática torna-se pertinente investigar o conhecimento matemático existente em contextos culturais específicos, neste caso, comunidades piscatórias portuguesas, e a sua utilização em sala, procurando melhorar o ensino e aprendizagem da matemática. O fundamento teórico desta investigação centra-se na Etnomatemática, essencialmente nas vertentes investigativa e educacional. Investigativa porque procura recolher/recuperar conhecimentos matemáticos do quotidiano cultural das comunidades piscatórias de Câmara de Lobos e das Caxinas. Educacional porque procura recuperar e transportar esses saberes matemáticos para a sala de aula. A metodologia adotada enquadra-se nos referenciais qualitativos com incidência na etnografia e estudos de caso múltiplos, nas premissas do paradigma interpretativo. Com base no trabalho de campo no quotidiano piscatório, foi elaborado um conjunto de tarefas (no contexto matemático do raciocínio proporcional), enquadrado na resolução de problemas, que foi aplicado em sala de aula, em 2 escolas de contextos distintos: uma de contexto piscatório (Caxinas-Vila do Conde) e outra de contexto diferente (Calendário-Vila Nova de Famalicão). Além disso, as tarefas foram aplicadas em duas fases distintas: antes do ensino formal da proporcionalidade direta (AEFPD) e depois do ensino formal da proporcionalidade direta (DEFPD). Verificou-se que AEFPD, em ambas as escolas, os alunos não utilizaram a estratégia do produto cruzado. DEFPD verificou-se em ambas as escolas, uma forte utilização da estratégia do produto cruzado. Deste facto depreende-se que a matemática formal tem influência na escolha das estratégias de resolução. AEFPD verificou em ambas as escolas a utilização em massa da estratégia funcional em algumas tarefas. Na escola das Caxinas, ao contrário da escola de Calendário, há uma utilização significativa de estratégias aditivas, que se enquadram mais com o quotidiano piscatório. Na fase seguinte evidenciou-se a utilização das estratégias funcional e produto cruzado nas duas escolas, com maior expressividade na escola das Caxinas. De referir que o desempenho dos alunos em ambas as escolas melhorou da fase AEFPD para a fase DEFPD, o que revela a influência do ensino formal. Em ambas as fases, os alunos da escola das Caxinas tiveram um desempenho mais positivo em relação aos alunos de Calendário. Outro aspeto que sobressai nesta investigação é a dificuldade que os alunos de ambas as escolas tiveram em identificar problemas pseudoproporcionais.

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