Doutoramento em Estudos da Criança, na especialidade de Educação Física, Lazer e Recreação

 

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Realizaram-se no dia 2 de novembro de 2016, às 11h, as Provas de Doutoramento em Estudos da Criança, na especialidade de Educação Física, Lazer e Recreação, requeridas pela Mestre Vânia Sofia de Sousa Pereira, tendo como orientadora a investigadora do CIEC Maria Beatriz Ferreira Leite de Oliveira Pereira. O júri foi presidido pelo Doutor José Augusto de Brito Pacheco, tendo estado presentes os seguintes vogais: o Doutor Carlos Alberto Ferreira Neto, da Universidade de Lisboa; a Doutora Maria Beatriz Ferreira Leite de Oliveira Pereira, da Universidade do Minho; o Doutor António Camilo Teles Nascimento Cunha, da Universidade do Minho; a Doutora Maria Amália Martins Rebolo, do Instituto Piaget; e o Doutor José Eugénio Rodríguez Fernández, da Universidade de Santiago de Compostela – Espanha. No final, a candidata foi aprovada, por unanimidade, com a menção de “Muito Bom”.

Título da Tese: “Jogos e brincadeiras de hoje nos recreios do 1º ciclo do ensino básico: intervenção pedagógica na conquista do vocabulário de jogo”

Resumo: O jogo na infância é preponderante para o desenvolvimento motor, cognitivo, social, emocional e moral da criança. As crianças têm a sua própria identidade, que passa por uma necessidade fundamental, que é o acesso ao jogo. O interesse crescente da comunidade científica pela temática do jogo na infância junta-se às preocupações mundiais sobre o decréscimo das oportunidades de jogo, que são dadas às crianças, atualmente. Na presente investigação, propusemo-nos estudar os aspetos relacionados com o jogo da criança no recreio, tais como: os espaços, os materiais, o tempo, o valor atribuído pelas crianças ao recreio escolar e os jogos que aí desenvolvem. Foi realizado um estudo quase-experimental com um grupo de intervenção e outro de controlo, para avaliar a eficácia de um programa de intervenção. Esta intervenção foi realizada com o intuito de aumentar a diversidade de jogos praticados no recreio, assim como o aumento e diversificação das interações sociais que ocorrem nesse espaço. Fizeram parte da amostra 317 alunos de 2 escolas do 1º ciclo do ensino básico da cidade de Braga, dos quais 167 rapazes e 150 raparigas, com idades entre os 6 e os 10 anos, sendo a média de idades de 7,45±1.14. O grupo de intervenção foi constituído por 161 crianças e o grupo de controlo por 156 crianças. A seleção das escolas foi intencional, uma vez que estas deveriam apresentar caraterísticas idênticas, para ser avaliada a intervenção a realizar numa delas. O programa de intervenção decorreu durante um ano letivo. As crianças participaram de forma livre e espontânea na intervenção. Tanto no grupo de intervenção como no grupo de controlo foi aplicado um questionário sobre práticas e interações nos recreios. Foram também realizadas filmagens nos recreios, nas fases pré e pós-intervenção. Durante todo o desenvolvimento do estudo, foram ainda retiradas algu68mas notas de campo. Apenas no grupo de intervenção foi aplicado o programa de intervenção e realizada a sua avaliação. O follow-up foi realizado três meses após a intervenção, no sentido de perceber a sustentabilidade da mesma, tendo sido novamente aplicado o questionário e realizadas filmagens no recreio (fase pós 2). Os resultados, que são apresentados nos quatro estudos desenvolvidos ao longo da investigação, indicam-nos que tanto rapazes como raparigas se envolvem em jogos bastante ativos no recreio, assim como em jogos típicos de género. Os jogos mais realizados pelas crianças no recreio são a “corrida” e os “jogos de perseguição”, não correspondendo aos jogos preferidos pelas crianças, que são “saltar à corda” e “jogar futebol”. Na sua grande maioria, as crianças gostam do recreio escolar, tendo-o justificado, principalmente, através de duas categorias, espaço e tempo para brincar e conviver e brincar com os amigos. Quanto ao tempo de recreio, a maioria das crianças gostava que esse tempo fosse superior ao existente, nas suas escolas. Relativamente à utilização dos espaços e materiais no recreio, verificamos que estão a
ssociados à faixa etária e ao género. As crianças dos 1º e 2º anos de escolaridade são as que mais utilizam os espaços naturais e também as que mais brincam com “terra”, “pedras” e “água”. Os alunos dos 3º e 4º anos são os que mais utilizam o campo de jogos. A “bola” é o material mais utilizado pelos rapazes e a “corda” o mais utilizado pelas raparigas. No que diz respeito às interações no recreio escolar, concluímos que as interações criança-adulto ocorrem, principalmente, ao nível da segurança e vigilância e moderação de conflitos, por parte do adulto. Ao nível do jogo no recreio, são raras as interações dos adultos com as crianças, acontecendo, essencialmente, com os funcionários da escola e através dos jogos tradicionais. Quanto às interações entre pares, as crianças preferem fazer os seus jogos com outras crianças do mesmo sexo e da mesma turma. As interações com o sexo oposto são pontuais, sendo mais frequentes nos alunos mais velhos (4º ano). A partir do programa de intervenção, concluímos que a introdução de jogos diversificados no recreio contribuiu para a promoção de comportamentos ativos neste local. O programa de intervenção revelou-se positivo a dois níveis: na redução da constatada diminuição da diversidade de jogos realizados nos recreios ao longo do ano letivo e, ao nível das interações entre pares, permitindo o seu aumento e diversificação.

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