Colóquio Internacional Crianças, Cidade e Cidadania

Evento a decorrer em Guimarães, entre 17 e 18 de Março de 2016, organizado pelo investigador do CIEC Manuel Sarmento.

60A imensa maioria das crianças e jovens vive,

na atualidade, em cidades. Isso decorre da
concentração da população em núcleos
urbanos, onde se encontram os serviços e os
locais de emprego e, concomitantemente, do
despovoamento dos campos, por efeito das
migrações, da industrialização do trabalho
agrícola e da redução da população rural.
A vida das crianças nas cidades é afetada pela
organização dos espaços urbanos, pelas
condições de mobilidade, pelas
oportunidades constituídas no âmbito da
satisfação de necessidades e de direitos,
nomeadamente nos âmbitos da educação, da
proteção contra o perigo, do lazer, da saúde,
etc., pela oferta cultural específica para a106
população mais jovem. Desde logo, as
pessoas que se situam no intervalo entre os
0 e os 18 anos de idade constituem o único
segmento populacional que não tem o direito
formal de se pronunciar sobre as opções que
se oferecem à vida em comum no espaço
urbano, nomeadamente pelo facto de não
terem competências eleitorais ativas e
passivas, por não serem reconhecidas como
interlocutores legítimos nos fóruns de
participação coletiva (Assembleias Municipais e Assembleias de Freguesia, por exemplo) e,
com raras exceções, por não serem mobilizadas no âmbito do exercício da democracia
participativa em espaço local (nomeadamente, no Orçamento Participativo ou nos referendos
locais).
Não obstante, as crianças e os jovens são cidadãos de pleno direito e vivem intensamente as
diferentes possibilidades que a vida urbana oferece – na ocupação do espaço público, no
usufruto dos serviços educativos ou de saúde, na utilização dos museus, casas de espetáculo
e galerias, no acesso ao património edificado, na frequência das praças, parques e jardins, na
circulação pelos espaços comerciais, na mobilidade pelas ruas e avenidas. Mas as crianças
vivem a cidade à sua maneira e debaixo das condições que lhe são proporcionadas pelas
políticas urbanas e pelos constrangimentos e possibilidades oferecidos pela organização da
cidade e dos seus equipamentos e serviços.
Tendo em vista a especificidade das representações e formas de vida das crianças na cidade,
vários programas e projetos têm-se proposto desenvolver modos de condução de políticas
municipais orientadas para as crianças e jovens, ao mesmo tempo que procuram fazer das
formas de participação das crianças na cidade modos de edificação de um espaço urbano mais
humanizado, coeso e inclusivo. É o caso de programas como o das Cidades Amigas das
Crianças, o das Cidades Educadoras ou o da Cidade das Crianças. Do mesmo modo, a
investigação científica – em áreas como a Sociologia da Infância, a Geografia, a Arquitetura e
o Urbanismo, as Ciências da Educação, as ciências da Motricidade Humana, etc. – têm
promovido o conhecimento e a reflexão sobre temas como as práticas, perceções e
representações das crianças sobre a cidade, as políticas públicas urbanas numa perspetiva
geracional, a organização dos espaços, serviços e equipamentos urbanos para as crianças, os
direitos da criança no espaço urbano.
O colóquio internacional Crianças, Cidades, Cidadania pretende pôr em articulação a reflexão
teórica e a experiência prática sobre as condições de vida e as formas de participação das
crianças na cidade. O colóquio é uma iniciativa do Projeto Carta da Cidadania Infantojuvenil,
promovido pela Associação para o Desenvolvimento das Comunidades Educativas (ADCL) em
parceria com a Câmara Municipal de Guimarães e a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens
e financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, e é organizado e dirigido ainda pela
Universidade do Minho, através do Centro de Investigação em Estudos da Criança e do
Departamento de Ciências Sociais da Educação.
Durante dois dias, o Colóquio internacional contará com conferências plenárias de
investigadores internacionais que estudam as relações entre a criança e a cidade, terá mesasredondas
em sessões plenárias sobre aspetos de investigação e de intervenção urbana e
contará ainda com sessões paralelas de comunicações, submetidas a arbitragem científica, e
apresentação de posters. A participação direta de crianças e jovens está também prevista.

As comunicações e os posters poderão ser submetidos em torno dos seguintes eixos:

1. Políticas urbanas, infância e juventude
2. Modelos de intervenção com crianças e jovens no espaço urbano
3. Espaço, território, mobilidade e infância
4. Culturas da infância e ação cultural na cidade
5. Direitos da criança e a vida na cidade
6. Educação e cidade
Local de realização do colóquio: Centro Cultural Vila Flor
Comunicação e pósteres: apresentação de resumos (até 2500 carateres): até 30 de novembro
Informação de Aceitação: 31 de dezembro
Prevê-se a publicação de e-book com as conferências e comunicações aceites.
Programa definitivo: a divulgar até 15 de outubro
Inscrições:
Público- 30 Euros
Estudantes – 15 Euros
Data limite de inscrições: 19 de fevereiro

Mais informações: http://www.adcl.org.pt/ciccc

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