Doutoramento em Estudos da Criança, na Especialidade de Educação Musical

70Realizaram-no dia 5 de maio, às 9h, as Provas de Doutoramento em Estudos da Criança, na Especialidade de Educação Musical, requeridas pela Mestre Ana Roseli Paes dos Santos, tendo como orientadora a investigadora do CIEC Maria Helena Gonçalves Leal Vieira. O júri foi presidido pelo Doutor Alberto Filipe Ribeiro Abreu Araújo, tendo estado presentes os seguintes vogais: a Doutora Maria Helena Gonçalves Leal Vieira, da Universidade do Minho; o Doutor António José Pacheco Ribeiro, da Universidade do Minho; o Doutor Ricardo Iván Barceló Abeijon, da Universidade do Minho; a Doutora Daniela da Costa Coimbra, do Instituto Politécnico do Porto e o Doutor Joel Luís da Silva Barbosa, da Universidade Federal da Bahia. No final, a candidata foi aprovada por unanimidade.

Título da Tese: “O ensino em grupo de instrumentos musicais. Um estudo de caso múltiplo em Portugal e no Brasil”

69Resumo: O ensino em grupo de instrumentos musicais (também chamado de “ensino coletivo” no Brasil) tem-se configurado como uma prática pedagógico-musical relevante e significativa para o desenvolvimento de competências e habilidades musicais. No entanto, ainda permanece como objeto de análise e discussão, bem como de resistências e desconhecimento. A revisão de literatura revela alguma expansão a nível internacional acerca do conhecimento sobre a sua origem, modos de funcionamento em diferentes contextos, e variedade de tipologias. No entanto, ela é ainda bastante escassa acerca da descrição e sistematização dos processos pedagógicos. Quais as possíveis implicações e contribuições que pode trazer o ensino instrumental em grupo ao nível pedagógico e, concomitantemente, aos níveis curricular, social e político? Será que este tipo de ensino pode ser uma prática possível para a educação musical da escola pública genérica e especializada? Será que a falta de um fazer musical prático na escola genérica, especialmente no que diz respeito à aprendizagem de uma gama diversificada de instrumentos musicais, pode ser colmatada através do ensino instrumental em grupo? Será que os alunos do ensino especializado, habituados a práticas pedagógicas predominantemente solistas podem beneficiar do ensino instrumental em grupo, ou será que o ensino instrumental em grupo pode ser desaconselhável para estes alunos? Para responder a estas questões estudaram-se dois casos, em dois contextos, onde o ensino instrumental em grupo tem sido destacado pelas comunidades de profissionais pelos seus resultados positivos: o Projeto Orquestra Geração, desenvolvido desde há oito anos numa escola pública genérica portuguesa (selecionada de entre várias onde o projeto é aplicado), e o Projeto Ensino Coletivo de Cordas, desenvolvido num conservatório público brasileiro desde há vinte anos. O principal objetivo foi conhecer e compreender profundamente as práticas pedagógicas desenvolvidas nos dois projetos, com o propósito de aferir a possibilidade e viabilidade da transferência e implantação de práticas similares no currículo normal das escolas públicas. Foram objetivos também averiguar por que razões o método coletivo parece alcançar mais rapidamente bons resultados (tanto musicais quanto sociais), descrever aspetos concretos dessa pedagogia de grupo, questionar possíveis inferências do ensino em grupo para a formação de professores, e apresentar de forma sistematizada resultados passíveis de serem experimentados e aplicados na melhoria de projetos curriculares nas escolas públicas. A investigação desenvolveu-se segundo uma abordagem qualitativa e foi realizada através de um estudo caso múltiplo. Como instrumentos de recolha de dados foram utilizadas entrevistas, observações e gravações audiovisuais, para além de um amplo estudo bibliográfico. Os dados recolhidos e tratados mostraram que esta forma de ensinar é mais direta e prática, preenchendo os requisitos necessários para uma boa iniciação instrumental, quer na escola genérica, quer escola especializada estudadas, verificando-se que as condições de aprendizagem instrumental em grupo reforçam a interação social, a cooperação, a motivação e, consequentemente, a própria construção conceptual, física e artística do saber e experiência musicais. Foram identificadas algumas práticas pedagógicas semelhantes e foi possível inferir a partir destes casos que existe não apenas a possibilidade, mas a urgência da aplicação do ensino instrumental em grupo na iniciação musical das escolas públicas. O estudo revelou processos de aprendizagem musical consistentes, funcionais, humanos e democráticos nos dois contextos e perspetivou, do ponto de vista político, a necessidade de colocar em causa as atuais diferenças na aprendizagem de instrumentos nas iniciações realizadas nas escolas públicas genéricas e especializadas.

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