Provas de Doutoramento em Estudos da Criança, especialidade de Sociologia da Infância

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Realizaram-se no dia 6 de novembro, às 14h, as Provas de Doutoramento em Estudos da Criança, especialidade de Sociologia da Infância, requeridas pela Mestre Eliete do Carmo Garcia Verbena e Faria, tendo como orientador o Doutor Manuel José Jacinto Sarmento Pereira. O júri foi presidido pela Doutora Maria Graça Ferreira Simões Carvalho,  tendo estado presentes os seguintes vogais: Doutora Maria Manuela Martinho Ferreira, da Universidade do Porto; Doutor Manuel José Jacinto Sarmento Pereira, da Universidade do Minho; Doutora Ana Francisca Araújo Rodrigues Azevedo Silva, da Universidade do Minho; Doutora Maria Emília Pinto Vilarinho Rodrigues Barros Zão, da Universidade do Minho; Doutora Catarina Almeida Tomás, do Instituto Politécnico de Lisboa e a Doutor Marcos António Soares, Professor Adjunto da Universidade Federal de Goiás. No final, a candidata foi aprovada por unanimidade.

Título da Tese: “Lugares da Infância: mobilidade e práticas cotidianas das crianças nos espaços sociais de interação”

 Resumo: o presente estudo aborda a criança entendida como ator social que integra a infância na perspetiva de uma categoria geracional, ancorada nos estudos da Sociologia da Infância. Teve como objetivos: analisar a mobilidade e a autonomia como expressões da capacidade de agir das crianças nos espaços sociais de convivência, a partir da compreensão do seu ir e vir para além dos deslocamentos escola-casa-escola, assim como sua relação com as interações entre pares e intergeracionais; delinear as dimensões da espacialidade e da temporalidade no ir e vir de crianças em seus diferentes contextos de convivência; compreender as práticas corporais/atitudes adotadas pelas crianças nas experiências cotidianas do seu ir e vir, tendo como ponto de partida o espaço escolar; e identificar o sentimento das crianças sobre a sua competência para se deslocarem pela cidade, bem como os desafios percebidos pelas mesmas na realização desse agir. Trata-se de um estudo de cunho etnográfico, que abrangeu dois contextos: português, com a participação de 14 crianças; e brasileiro, com a participação de 20 crianças, nos anos de 2010 e 2011, respetivamente. As crianças possuíam idades entre dez e treze anos. Para a recolha dos dados que emergiram do campo, foram adotados os seguintes procedimentos metodológicos: observação em campo; grupo focal; questionário; diário de bordo;·produção de desenho e de texto; e registro fotográfico.14

A análise dos dados obtidos deu-se pela triangulação metodológica, considerando o contexto de cada campo pesquisa do. Os resultados revelaram que na exploração dos espaços via interações entre ares, a experiência vivenciada pelas crianças gera o sentimento de competência para o ir e vir. No que se refere às interações intergeracionais, negociações são estabeleci das e permissões/proibições são atribuídas conforme as condições geográficas do local a ser frequentado, além da explicitação de suas normas de funcionamento, da necessidade de proteção pelos pais/responsáveis e da peculiaridade da organização familiar que interferem no processo de mobilidade das crianças. Marca-se, pois, a relação de identidade e de pertencimento construída pelas crianças em suas vivências, atribuindo ao espaço a condição afetiva de “lugar”. Sobre a temporalidade, chrónos orienta a vida das crianças em suas vivências na escola e na cidade. O tempo vivido de forma significativa, representado por aión, manifesta-se, dando sentido às experiências autorizadas, conquistadas e àquelas alcançadas mediante à transgressão. Espaço e tempo são determinantes para que a criança explore a escola e a cidade, em que o enfrentamento dos desafios e riscos é constantemente (re)negociado com os pares no compartilhamento das experiências e com os adultos no desvencilhamento da proteção, ambos para a conquista da autonomia, a fim de que a sua relatividade perca força. As práticas lúdicas expressam esses aspetos, seja na escola ou na cidade, de acordo com as suas especificidades: A cultura lúdica da infância evidencia a ideia de se viver ludicamente o cotidiano além da centralidade corporal, agrupando os desafios espaço-temporais e explicitando a criança ator, Reconhecendo a condição de “ser criança” colocada à infância/essa age em busca de autogerência do seu ir e vir e de suas práticas, a partir da realidade encontrada no meio social ocupado.

Fonte de Informação: Serviço de Informação, Comunicação e Imagem do IE

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