Doutoramento em Estudos da Criança, especialidade de Saúde Infantil

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Realizaram-se no dia 31 de julho, às 11h, as Provas de Doutoramento em Estudos da Criança, especialidade de Saúde Infantil, requeridas pela Mestre Susana Regina Monteiro Marinho, tendo como orientadora a Doutora Zélia Ferreira Caçador Anastácio. O júri foi presidido pelo Doutor José Augusto de Brito Pacheco, tendo estado presentes os seguintes vogais: Doutor José Jacinto  Branco Vasconcelos Raposo, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro; Doutora Maria da Graça Ferreira Simões de Carvalho, da Universidade do Minho;

Doutora Maria Isabel Seixas da Cunha Chagas, da Universidade de Lisboa; Doutora Maria Teresa Machado Vilaça, da Universidade do Minho; Doutora Zélia Ferreira Caçador Anastácio, da Universidade do Minho; e a Doutora Maria Filomena Rodrigues Teixeira, Escola Superior de Educação de Coimbra. No final, a candidata foi aprovado por unanimidade.

 

Título da Tese: “Conhecer para agir – conceções de professores e de alunos do ensino básico sobre sexualidade e educação sexual”

 

39Resumo: Com este trabalho pretendíamos averiguar as necessidades de professores e alunos sobre este terna e, a partir destas, desenvolver competências para a vivência de uma sexualidade saudável por parte dos alunos. Relativamente aos professores, pretendíamos que fossem capazes de compreender as necessidades de Educação Sexual dos seus alunos, bem corno de reconhecerem e modificarem as suas conceções, munindo-se de ferramentas que os tomassem aptos a desenvolver programas e a realizarem ações de educação sexual na sala de aula, de acordo com o atualmente legislado. Sendo urna investigação-ação, o seu desenvolvimento desenrolou-se em três fases principais: diagnóstico, implementação do plano de intervenção e avaliação. Durante a fase de diagnóstico procuramos obter os dados necessários através de um questionário aos professores, no sentindo de perceber as dificuldades encontradas na implementação da educação sexual no agrupamento de intervenção e um questionário aos alunos procurando aferir também as suas necessidades de ES. A partir do diagnóstico iniciou-se a intervenção com a realização de um focus group a professores Diretores de Turma para clarificar as suas opiniões e registar as suas reações à imposição legal da Educação Sexual. O plano de intervenção incluiu sessões de formação para professores e implementação de um conjunto de ações estruturadas com os alunos, sobre sexualidade e educação sexual. Na terceira fase desta investigação-ação procedeu-se à avaliação da intervenção: i) por meio de um focus group com os professores diretores de turma que frequentaram a ação de formação e que, em alguns casos, implementaram atividades de ES com os alunos; ii) por meio de um questionário aos alunos das turmas intervencionadas; iii) e ainda com base nos registos no diário de investigação. Os dados recolhidos na fase de diagnóstico permitiram-nos concluir que urna das maiores dificuldades sentidas pelos professores é a falta de formação na área da Educação Sexual, o que contribui para não realizarem e/ou não pretenderem realizar atividades de ES com os alunos. Os docentes também apontaram os pais e encarregados de educação dos alunos como uma barreira à implementação da ES em meio escolar e indicaram as suas possíveis reações adversas corno um dos seus maiores receios em abordar a ES. Assim, os docentes da nossa amostra preferiam entregar essa tarefa a elementos exteriores à escola (como médicos ou enfermeiros) ou a elementos não docentes (psicólogo escolar), sendo a exceção o docente de Ciências Naturais. A maioria dos professores da nossa amostra considerou que a ES se deve iniciar no pré-escolar ou no 1.0 CEB, tendo as professoras manifestado uma atitude mais favorável perante a ES do que os professores, pois consideraram que se deve iniciar mais cedo. Relativamente aos alunos verificamos que cerca de metade apresentou um conceito de sexualidade puramente biológico, relacionando-o com a reprodução, as relações sexuais e as infeções sexualmente transmissíveis. A maioria dos alunos apresentou uma atitude favorável perante o papel da ES no desenvolvimento de crianças e jovens e mostrou confiar na escola para desenvolver atividades no âmbito da ES. No entanto, a maioria dos alunos manifestou preferência por elementos exteriores à escola, como técnicos de saúde, ou elementos não docentes, como o psicólogo escolar, para realizarem esta tarefa. O elemento do corpo docente que reuniu maior concordância dos alunos foi o professor de Ciências Naturais. A nossa análise permitiu-nos concluir que os alunos mais velhos e as raparigas têm maiores conhecimentos sobre reprodução, doenças e infeções sexualmente transmissíveis, métodos contracetivos, gravidez e higiene, do que os alunos mais novos e os rapazes. Verificamos, também, que “adolescência”, “noção de sexualidade”, “relações sexuais” e “diversidade, tolerância, orientação sexual e respeito” foram os quatro temas sobre os quais os alunos gostariam de saber mais, tendo sido encontradas diferenças nas repostas de rapazes e raparigas. As fontes de informação sobre sexualidade a que os alunos mais costumam recorrer são, essencialmente, os amigos, a mãe e a internet. Encontramos algumas diferenças nas respostas de acordo com o sexo e o ciclo dos alunos. O plano de intervenção que delineamos, a partir do diagnóstico efetuado, modificou algumas conceções, quer de alunos, quer de professores. Assim, relativamente aos professores, concluímos que depois de frequentarem a oficina de formação se sentiam mais à vontade, mais confiantes, mais seguros, com mais conhecimentos e mais estratégias para implementar projetos no âmbito da ES. Já os alunos adquiriram um conceito de sexualidade mais abrangente e demonstraram uma atitude ainda mais favorável sobre o papel da ES no desenvolvimento das crianças e jovens. A intervenção contribuiu para aumentar a confiança dos alunos na escola acerca do papel que esta desempenha no que se refere à ES e permitiu que se atenuassem algumas diferenças de género e aumentassem os conhecimentos dos alunos sobre sexualidade.

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