Ponte de Lima recebeu Simpósio Nacional “Percursos do Ensino da Música”

Ponte de Lima

Painel de Política Educativa: Prof. Helena Vieira, moderadora, com três deputados no activo na Assembleia da República, a Deputada Catarina Martins, do BE, o Deputado Miguel Tiago, do PCP e o Deputado Abel Baptista, Presidente da Comissão Parlamentar de Educação, do CDS-PP.

 

A Academia de Música Fernandes Fão (AMFF) em parceria com o Instituto de Educação da Universidade do Minho e o Centro de Investigação em Estudos da Criança (CIEC), através da investigadora  Maria Helena Vieira, organizaram o Simpósio Nacional “Percursos do Ensino da Música”, nos últimos dias 7, 8 e 9 de Julho de 2014 em Ponte de Lima.

O simpósio foi articulado com o Festival “Percursos da Música” que vem sendo realizado há alguns anos em Ponte de Lima pela AMFF. Nesse sentido, a organização do Simpósio convidou quatro jovens compositores (Daniel Moreira, Ana Seara, Tiago Lestre e Rafael Araújo) a comporem uma peça para ser apresentada ao público em estreia absoluta. As quatro novas obras foram interpretadas no dia 8, às 21.30h, pelo Royal Voices Choir, um grupo de jovens intérpretes de música coral contemporânea que foi criado no início de 2014, e que se apresentou com enorme sucesso e profissionalismo.

O objectivo principal do encontro foi pôr toda a comunidade educativa e os cidadãos interessados na melhoria dos processos educativos, cívicos, culturais e artísticos, a reflectir de forma participativa sobre políticas e pedagogias da música, o papel da música no desenvolvimento da criança enquanto sujeito de direitos, gestão das instituições do ensino da música, como se ensina ou fomenta a criatividade musical a partir da infância e, ainda, reflectir, num concerto-debate com os jovens compositores portugueses mencionados, sobre o tema ‘Como nasce um compositor em Portugal’. Alguns alunos de mestrado e doutoramento do IE apresentaram os seus trabalhos, já concluídos, partilhando-os assim com a comunidade de profissionais. O investigador do CIEC Rui Pintão apresentou os resultados da sua tese de doutoramento na abertura do Simpósio através de uma comunicação intitulada “O ensino de piano em grupo para o desenvolvimento da literacia musical”.

Foram debatidos conceitos como os de “ensino especializado”, “ensino vocacional”, “ensino genérico”, “ensino profissional”, “ensino integrado”, “ensino articulado”, “ensino supletivo”, “aptidão musical”, “talento inato ou adquirido”, “testes de selecção”, “formação de professores de música”, “pedagogias no ensino da música”, “democratização do acesso à formação musical”, “gestão do ensino artístico e musical”, “criatividade” e “composição musical”.

Para debater as questões mais específicas de política educativa nacional foram convidados deputados de diferentes forças políticas no activo na Assembleia da República ( a Deputada Catarina Martins, do BE, o Deputado Miguel Tiago, do PCP e o Deputado Abel Baptista, Presidente da Comissão Parlamentar de Educação, do CDS-PP) e uma ex-Ministra da Educação, a Prof. Maria de Lurdes Rodrigues. Foram também convidados directores/gestores de escolas especializadas, genéricas e profissionais (públicas e particulares e cooperativas) e uma gestora do projecto de financiamento POPH.

Finalmente, o Simpósio terminou com um Painel dedicado à Criatividade no Ensino da Música, para o qual foram convidados jovens compositores e criativos portugueses, e compositores de carreira alicerçada.

Ao longo de todo o simpósio foi sublinhada a importância da escola pública para a democratização do acesso à aprendizagem musical por todos os cidadãos. Foi também valorizado o papel da escola e dos contextos de aprendizagem face ao tão ambíguo conceito de “aptidão” ou “talento” musical, realidades que a investigação tem revelado cada vez mais complexas e paradoxais (uma criança pode, por exemplo, ter grande aptidão rítmica e pouca aptidão melódica; ou então, pode ter diversas aptidões musicais elevadas em dado momento, mas a sua motivação estar livremente orientada para qualquer outra disciplina, como acontece com as outras áreas do saber). Nesse sentido, foi sublinhado que a importância que certos sectores continuam a atribuir a um suposto “talento inato” pode ser responsável pelo perpetuar de atrasos no desenvolvimento curricular da área e injustiças no acesso à formação. Foi também sublinhado pelos compositores e criativos que a criatividade é um processo que se aprende, cultiva e trabalha e que, por isso, deve ser dada mais importância ao seu desenvolvimento na escola. Prova disso, acrescentaram, tem sido o aumento de alunos a decidirem seguir a carreira de compositor, à medida que a disciplina vem ganhando terreno no currículo, algo que já acontecia noutros países, onde não consta que haja mais “talento” semeado.

A organizadora do evento, a investigadora do CIEC Maria Helena Vieira, concedeu uma entrevista a RUM, que pode ser ouvida clicando aqui.

 

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