Doutoramento em Estudos da Criança, especialidade de Educação Musical

4Realizaram-se em 18 fevereiro, às 15h, as Provas de Doutoramento em Estudos da Criança, especialidade de Educação Musical, requeridas pela Mestre Maria Helena Dias Borges Cabral, tendo como orientadora a Doutora Maria Helena Gonçalves Leal Vieira. O júri foi presidido pelo Doutor José Augusto de Brito Pacheco, tendo estado presentes os seguintes vogais: Doutora Maria Helena Ribeiro da Silva Caspurro, da Universidade de Aveiro; Doutora Maria Helena Gonçalves Leal Vieira, da Universidade do Minho; Doutor António José Pacheco Ribeiro, da Universidade do Minho; e o Doutor Jorge Alexandre Cardoso Marques Costa, do Instituto Politécnico do Porto. No final, a candidata foi aprovada por unanimidade.

Título da Tese: “O ensino da flauta de bisel em grupo como inovação pedagógica: Uma investigação-ação no 2.º Ciclo do Ensino Básico”

Resumo: o Sistema Educativo Português define a escolaridade obrigatória até ao momento da obtenção de um curso conferente de nível secundário ou da conclusão de 18 anos de idade (Decreto-Lei n.” 176/2012 de 2 de agosto). Paradoxalmente não proporciona igualdade de oportunidades no que à aprendizagem musical diz respeito. Neste contexto, da preocupação sentida por professores e investigadores, têm surgido tentativas diversificadas para dar resposta à desigualdade. O problema foi identificado a partir da prática profissional e da observação da proliferação de experiências realizadas, sem sustentação científica, muitas das vezes por falta de uma formação de professores adequada à situação. Para além disso, no ensino genérico, verifica-se que as condições de que as escolas públicas dispõem são deficientes, nomeadamente no que respeita a recursos e equipamentos, não permitindo que as experiências resultem. Foi, pois, neste contexto problemático que se perspetivou a hipótese da pesquisa que constitui esta tese: o ensino instrumental em grupo poderá potenciar a criação de igualdade de oportunidades aos alunos do 2° Ciclo do Ensino Básico (EB). A operacionalização desta hipótese foi pensada através da prática sistemática da aprendizagem polifónica da flauta. Em consequência, foram delineados os objetivos a perseguir: (i) promover um ensino estruturado de instrumento em grupo para averiguar o seu potencial pedagógico; (ii) experimentar e avaliar a aplicação de um modelo pedagógico inovador; (iii) propor a experimentação de uma aprendizagem mediada por pares; (iv) contribuir para o desenvolvimento e consolidação dos conhecimentos dos alunos; (v) descobrir as potencial idades musicais dos alunos; (vi) alterar atitudes e comportamentos no reforço continuado da cidadania, através da (in)formação de públicos. A metodologia de investigação utilizada foi a investigação-ação. Partiu-se de uma revisão de literatura e de uma análise documental direcionadas para a contextualização da aprendizagem em grupo; para isso, recorreu-se à análise crítica de orientações emanadas do Ministério da Educação, com o foco no ensino da música, preparando o enquadramento legal da componente empírica, não esquecendo a auscultação de pareceres e relatórios internacionais. A investigação foi levada a cabo na Escola dos 2.° e 3.° Ciclos do EB Sophia de Mello Breyner, em Arcozelo, Vila Nova de Gaia, com uma turma de 5.º ano e contou com a colaboração do professor titular da disciplina. Recorrendo a diferentes instrumentos de recolha de dados (a documentação estruturante da Escola, o inquérito, a observação, o diário de bordo), constatou-se que a metodologia do ensino instrumental em grupo cria condições mais favoráveis à aprendizagem da música e, consequentemente, à assimilação mais eficaz dos conteúdos programáticos, sendo também uma forma de ajudar os alunos na melhoria da autoestima e no ultrapassar do receio e da timidez. A aprendizagem simultânea das flautas de bisei (soprano e contralto) potenciou a exploração do trabalho polifónico e, através da crítica das performances, realizada entre pares, foi atingido o objetivo da interação e da corresponsabilização pelo trabalho comum. Verificou-se que a construção de uma cultura musical pode ser efetuada, para lá da escola, com a colaboração dos alunos, potenciando assim a formação de músicos. Assim se contribuiu para a melhoria da qualidade do sucesso educativo e para que este grupo de alunos acedesse, em igualdade de circunstâncias, ao ensino da música, através de um modelo pedagógico inovador que ficou provado resultar e possibilitar a aproximação do ensino genérico e do ensino especializado no que respeita a objetivos, estratégias e práticas pedagógicas. Para além da questão da instabilidade de que padece o sistema de ensino português, verificou-se a ausência de uma cultura musical sólida que possa levar a que à música seja reconhecido o seu valor. A pesquisa sugere que para ultrapassar este constrangimento urge repensar e investir na formação inicial dos professores, nomeadamente no que respeita à disponibilização de recursos humanos habilitados para o ensino de diferentes instrumentos e no seu sistema de colocação nas escolas. Pela constante mutabilidade do conhecimento e pela diversidade do ser humano, a praxis educativa deve ser objeto de uma investigação orientada para a procura constante de progresso e qualidade.

 

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