Doutoramento em Estudos da Criança, especialidade de Educação Física, Lazer e Recreação

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Realizaram-se no dia 22 de abril, às 14h30, as Provas de Doutoramento em Estudos da Criança, especialidade de Educação Física, Lazer e Recreação, requeridas pelo Mestre Luís Carlos Oliveira Lopes, tendo como orientadores a Doutora Maria Beatriz Ferreira Leite de Oliveira Pereira e o Doutor Vítor Pires Lopes. O júri foi presidido pelo Doutor José Augusto de Brito Pacheco, tendo estado presentes os seguintes vogais: Doutor Jorge Augusto Pinto da Silva Mota, da Universidade do Porto; Doutora Maria Beatriz Ferreira Leite de Oliveira Pereira, da Universidade do Minho; Doutor António Camilo Teles Nascimento Cunha, da Universidade do Minho; Doutor Vítor Pires Lopes, da Escola Superior de Educação de Bragança; e o Doutor Luís Paulo Areosa Rodrigues, do Instituto Politécnico de Viana do Castelo. No final, o candidato foi aprovado por unanimidade.

 

Título da Tese: “Motor Coordination in children: the associations with body composition, sedentary behaviour and academic achievement”

Resumo: Esta tese centra-se no papel da coordenação motora (CM) nos comportamentos relacionados com a saúde e nos resultados cognitivos em crianças com idades compreendidas entre os 9 e os 12 anos. Neste sentido, este estudo explora as relações entre a CM e a composição corporal, o comportamento sedentário (CS) e o desempenho académico (DA) em crianças. Este trabalho apresenta quatro artigos no corpo da tese e dois artigos nos anexos como parte integrante do processo de doutoramento. Os objetivos específicos foram: avaliar a relação entre o CS objetivamente medido e a CM, ajustando para a atividade física (AF), o tempo de utilização do acelerómetro, o rácio cintura/altura e o nível de escolaridade da mãe (artigo I); quantificar os erros de classificação do peso corporal das crianças por parte das mães, de acordo com o sexo, o estatuto socioeconómico das crianças, o peso corporal, a escolaridade e a idade da mãe (artigo lI); determinar a capacidade (sensibilidade e I especificidade) de diferentes medidas de adiposidade (índice de massa corporal, perímetro da cintura, percentagem de massa gorda e o rácio cintura/altura) para descriminar entre baixa/elevada CM (artigo Ill); avaliar a relação entre a CM e o DA, ajustando para a aptidão cardiorrespiratória, índice de massa corporal e o estatuto socioeconómico (artigo IV). Métodos: A amostra foi constituída de 596 participantes (281 meninas) do 4° ano de escolaridade, com idades compreendidas entre os 9 e os 12 anos, de 13 escolas públicas do 1° ciclo de carácter urbano do norte de Portugal, no ano letivo 2009-2010. A CM foi avaliada pela bateria de testes Kõrperkoordination Test für Kinder (KTK). A AF e o CS foram medidos por acelerometria (ActiGraph GT1M). A altura, o peso foram medidos recorrendo a instrumentos e a protocolos standartizados. A percentagem de massa gorda foi aferida através de bioempedância (balança digital Tanita TBF-300). A aptidão cardiorrespiratória foi determinada pela bateria de testes do Fitnessgram. As provas de aferição do 4° ano de escolaridade foram usadas como medidas do DA Pais ou encarregados de educação participaram no estudo através do preenchimento de questionários socio biográficos, de AF e outros comportamentos relacionados com a saúde. Resultados: No artigo I, a análise das curvas (receiver operating characteristic – ROC) mostrara I que o tempo em CS descriminou significativamente entre crianças com baixa CM e elevada CM, sendo o melhor equilíbrio (frade off) entre sensibilidade e especificidade alcançado com ≥77.29% e ≥76.48%, respetivamente para meninas e meninos (p<O.05 para ambos). Em ambos os sexos, o grupo com baixo CS teve uma probabilidade significativamente maior de ter uma boa CM do que o grupo com elevado CS, independentemente das variáveis de ajuste (p<0.05 para ambos). No artigo II, a prevalência de baixo peso, excesso de peso e obesidade foram, respetivamente 4.6%, 25.5%, e 6.4%. 65.2% das crianças com baixo peso e 61.6% das crianças com excesso de peso/obesidade foram incorretamente classificadas pelas respetivas mães. Na maioria das variáveis apresentadas, os valores de concordância encontrados foram moderados (k entre 0.257 e 0.486), no entanto significativos. Diferenças significativas, nas mães que classificaram corretamente o peso corporal dos seus filhos, foram apenas encontradas nas mães com mais elevada escolaridade, no grupo 28de crianças com excesso de peso/obesidade, e nas mães com peso normal, no grupo de crianças com baixo peso. No artigo III, a performance das curvas ROC para a percentagem de massa gorda mostrou uma melhor precisão discriminatória do que as restantes, na predição de baixa CM em meninas. Nos meninos, a performance das curvas ROC para o perímetro da cintura mostrou uma melhor precisão discriminatória do que as demais, na predição de baixa CM. A análise de regressão logística mostrou que todas as medidas de adiposidade estavam positiva e significativamente associados com a CM em  ambos os géneros, com a exceção do rácio cintura/altura nas meninas. No artigo IV, 51.6% dos participantes apresentaram distúrbios da CM ou insuficiências da CM e nenhuma criança foi classificada com boa CM. Em ambos os géneros, crianças classificadas com distúrbios da CM ou insuficiências da CM apresentaram uma maior probabilidade de manifestarem baixo DA, comparados com aqueles que foram classificados com CM normal ou CM boa (p<0.05 para a tendência em ambos). Conclusões: Níveis adequados de CM em crianças têm uma importância crucial, quer para os comportamentos relacionados com a saúde quer nos resultados cognitivos/académicos. Os resultados sugerem que os níveis de AF per se podem não superar as influências prejudiciais que os elevados níveis de CS têm na CM. Estes resultados evidenciam a importância de desencorajar o CS nas crianças de forma a melhorar a CM (artigo I). Muitas mães não percecionam corretamente o peso corporal dos filhos e frequentemente subestimam-no (artigo II). A percentagem de massa gorda e o perímetro da cintura apresentaram uja melhor precisão discriminatória na predição de baixa CM, respetivamente em meninas e meninos (artigo III). Crianças de ambos os géneros com baixa CM tiveram uma maior probabilidade de serem classificados com baixo RA (artigo IV).

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