Doutoramento em Estudos da Criança, especialidade de Saúde Infantil

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Realizaram-se no dia 11 de abril, às 14h30, as Provas de Doutoramento em Estudos da Criança, especialidade de Saúde Infantil, requeridas pelo Mestre Simão Pedro Pereira Vilaça, tendo como orientadora a Doutora Maria da Graça Ferreira Simões de Carvalho. O júri foi presidido pelo Doutor José Augusto de Brito Pacheco tendo estado presentes os seguintes vogais: Doutora Maria da Graça Ferreira Simões de Carvalho, da Universidade do Minho; Doutora Maria Isabel Gomes Sousa Lage, da Universidade do Minho; Doutora Ananda Maria Fernandes, da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra; Doutora Zélia Ferreira Caçador Anastácio, da Universidade do Minho; Doutora Helena Rafaela Vieira Rosário, da Universidade do Minho; e a Doutora Beatriz Rodrigues Araújo, da Universidade Católica Portuguesa. No final, o candidato foi aprovada por unanimidade.

Título da Tese: “Desenvolvimento infantil e capacitação materna como resultado da aplicação do Programa de Empowerment Parental para o Desenvolvimento Infantil (PEPDI)”

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Resumo: o presente estudo pretende contribuir para o incremento da compreensão do desenvolvimento infantil. Para o efeito foi analisado o efeito de um programa de formação parental (PEPDI – Programa de Empowerment Parental para o Desenvolvimento Infantil) para o desenvolvimento infantil bem como para a capacitação das competências maternas. Participaram neste ensaio clinico randomizado 411 de díades de mãe/filho, da região do Minho. A amostra foi constituída tendo por base um conjunto de critérios de inclusão como ser RN (recém-nascido) de termo, parto eutócico, índice de Apgar superior a 7 e a gravidez ter sido vigiada. Os critérios de exclusão versaram a presença de doença materna de foro mental e família com elementos que apresentavam atraso do desenvolvimento. As díades foram randomizadas em grupo de controlo e experimental. Desenvolvemos e implementamos um programa de intervenção (PEPDI), atendendo ao modelo de promoção da saúde de Nola Pender (2011) e os touchpoints apresentados por Brazelton (1999). As sessões do grupo experimental foram realizadas com cada mãe/filho durante a 1″semana de vida, 2°, 4° e 6° mês de vida e incluíam os seguintes conteúdos: (i) comportamento da criança, (ii) alimentação, (iii) competências desenvolvi mentais da criança, (iv) situações previsíveis de ocorrer, e (v) preocupações parentais. Pretendemos que as condições de implementação e avaliação deste estudo se aproximassem ao máximo do contexto natural em que a intervenção foi realizada, tendo este estudo, por conseguinte, um cariz pragmático de acordo com o indicador PRECIS (Pragmatic-Explanatory Continuum Indicator Summary). A recolha de dados, antes e após as intervenções, incluiu o perfil socioeconómico (NSE), a tipologia área residencial, o número de irmãos, a ansiedade materna, o conhecimento materno e o desenvolvimento infantil. Foi utilizada a escala SGS II para a avaliar o desenvolvimento infantil, a escala STAI-Y para avaliar a ansiedade materna (estado e traço), a escala de Graffar para o NSE, o inventario KIDI do professor David MacPhee (2002) para avaliar o conhecimento materno, o qual foi adaptado e validado. As combinações das características, avaliadas no momento inicial – conhecimento materno, ansiedade-traço, número de irmãos e NSE – permitiram criar clusters que evidenciaram que os 2 grupos do estudo (controlo e experimental) estavam equivalentes nestas características, no momento inicial da avaliação. A investigação foi realizada após autorização da comissão de ética do hospital central da região Norte. As mães tiverem informação sobre o estudo, e depois de esclarecidas assinaram o consentimento, de livre e esclarecida vontade, para participarem. Através da análise de modelos lineares mistos, os resultados demonstraram que ao longo do tempo: (i) Os índices de desenvolvimento das crianças do grupo experimental (PEPOI) foram significativamente superiores (p < 0,001) aos índices das crianças do grupo de controlo. A magnitude do efeito (eftect size) foi considerada de grande efeito (r= 0,92); (ii) Os índices de ansiedade-estado materno foram significativamente inferiores (p < 0,001) no grupo experimental comparativamente com o controlo. Esta diminuição do nível de ansiedade-estado também teve influência significativa (p < 0,001) quando as mães aumentaram o seu índice de conhecimento materno. (iii) Os índices de ansiedade-traço materna foram significativamente inferiores (p < 0,001) no grupo experimental. Apresentaram também efeito significativo para esta diminuição o aumento do conhecimento materno (p < 0,001), pertencerem ao NSE baixo comparativamente ao alto, médio-alto e medio (p = 0,006), bem como residirem na área predominantemente urbana comparativamente a residentes em área medianamente urbana (p =0,019). Em conclusão, o PEPOI pode ser implementado com sucesso para o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento da criança nos primeiros 6 meses de vida para reduzir os níveis de ansiedade materna, bem como promover o empowerment da mãe no sentido de promover um melhor desenvolvimento da criança.

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