Retrospectiva 2012: Doutoramentos do CIEC

Na continuação da retrospectiva dos doutoramentos defendidos no CIEC em 2012, damos destaque hoje à prova de Irene Cadime, membro do grupo 1 do centro (Contextos e Processos  de Desenvolvimento e Aprendizagem), defendida no dia 1 de Março. A aluna foi orientada pela Professora Fernanda Leopoldina, investigadora do CIEC, e Iolanda da Silva Ribeiro.

Título: Avaliar leitura no 1.º ciclo do ensino básico : construção e validação do TCL (Teste de Compreensão Leitora)

Ler é, por definição, extrair e construir sentido do que é lido. Por conseguinte, é de extrema importância que os alunos desenvolvam adequadamente esta competência desde os primeiros anos de escolaridade. No entanto, nem sempre os alunos a adquirem devidamente ao longo do processo de ensino. A avaliação da compreensão em leitura é crucial para identificar e clarificar os problemas dos alunos nesta área, apoiar o delineamento de programas de intervenção/ensino adequados e monitorizar as mudanças ocorridas ao longo do tempo. No entanto, em Portugal a construção de instrumentos de avaliação da compreensão encontra-se ainda numa fase embrionária, com a maior parte das provas construídas para este efeito a apresentarem lacunas significativas em termos de racional teórico e de procedimentos de validação. Neste trabalho elegeu-se como objetivo central a construção de um teste de avaliação da compreensão leitora dirigido a alunos dos três últimos anos do 1.º ciclo do Ensino Básico. O processo de construção do TCL – Teste de Compreensão Leitora culminou com a criação de três versões equalizadas verticalmente, destinadas, respetivamente, a alunos do 2.º, 3.º e 4.º anos de escolaridade. A elaboração dos itens teve por referencial teórico a taxonomia de compreensão leitora de Català, Català, Molina e Monclús (2001). Cada versão é constituída por 30 itens de escolha múltipla com quatro alternativas de resposta, distribuídos pelas categorias de compreensão literal, compreensão inferencial, compreensão crítica e reorganização. O texto que serve de base ao teste é inédito e integra texto narrativo, informativo, prescritivo e poemas. A primeira pool de itens incluiu 130 perguntas distribuídas pelos quatro níveis de compreensão (literal, inferencial, crítica e reorganização da informação). Estas perguntas foram sujeitas a uma avaliação por peritos que conduziu à eliminação de 55 e à reformulação de 20, resultando um conjunto de 75 itens. O processo de construção e validação implicou a realização de cinco estudos. No estudo 1 recorreu-se a uma amostra de 370 alunos do 4.º ano de escolaridade, com o objetivo de avaliar a adequação do material de teste, a clareza das instruções e o funcionamento dos 75 itens. Utilizou-se um procedimento de matrix sampling. Os resultados deste estudo conduziram à reformulação de alternativas em 19 itens e à inclusão de um item-exemplo nas instruções do teste. O estudo 2 incluiu uma amostra de 247 alunos do 2.º ano, 300 do 3.º ano e 296 do 4.º ano. Foi dividido em duas partes, de acordo com os objetivos subjacentes: i) análise dos itens e ii) construção e equalização de versões por ano de escolaridade. Todas as análises do estudo 2 foram realizadas, por ano de escolaridade, no quadro do modelo Rasch para itens dicotómicos. Os resultados indicaram valores de Infit e Outfit ajustados. Tomando em conta os parâmetros de dificuldade dos itens calculados nesta primeira parte, selecionaram-se itens de ancoragem e itens únicos a integrar cada uma das versões. A cada foram atribuídos 30 itens. Cada versão foi, então, sujeita a um processo de equalização vertical, recorrendo-se ao método de calibração com parâmetros de itens fixos. Os indicadores de fidelidade das versões – Kuder-Richardson fórmula 20, Person Separation Reliability e Item Separation Reliability – variaram entre 0.70 e 0.98, podendo ser considerados adequados. No estudo 3 foi testada a validade de critério de cada uma das versões construídas. Os resultados obtidos apontaram para correlações moderadas e estatisticamente significativas entre as três versões – TCL-2, TCL-3 e TCL-4 – com critérios externos de avaliação da leitura. As três mostraram-se preditoras das classificações em leitura efetuadas pelos professores e o TCL-3 e TCL-4 revelaram-se preditores dos resultados na primeira parte das Provas de Aferição de Língua Portuguesa. No estudo 4 testou-se a validade de construto das três versões, com recurso à análise fatorial confirmatória. Os resultados permitiram confirmar a hipótese de unidimensionalidade. No último estudo foram elaboradas normas para as três versões. Optou-se por incluir dois tipos de normas: pontuações estandardizadas e notas percentílicas. Para finalizar, são apresentadas algumas considerações sobre a construção do teste, sobre a relevância social e científica do trabalho realizado, sobre a importância da utilização da Teoria de Resposta ao Item na construção de testes de avaliação da compreensão leitora e sobre o enquadramento do TCL no quadro da avaliação psicológica. Partindo dos resultados e das opções tomadas ao longo dos estudos de construção e validação do TCL são, ainda, referidas limitações e apontadas linhas orientadoras para estudos futuros.

Anúncios

Deixar um comentário...

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s