Doutoramento em Estudos da Criança, Especialidade de Educação Física, Lazer e Recreação

Realizaram-se no dia 10 de julho, às 11:00 horas, as Provas de Doutoramento em Estudos da Criança, especialidade de Especialidade de Educação Física, Lazer e Recreação, requeridas pelo Licenciado Fernando Marcelo Ornelas Melim, tendo como orientadora a Doutora Maria Beatriz Ferreira Leite de Oliveira Pereira. O júri foi presidido pelo Doutor Leandro da Silva Almeida, tendo estado presentes os seguintes vogais: Doutor Carlos Alberto Ferreira Neto, da Universidade Técnica de Lisboa; Doutora Maria Beatriz Ferreira Leite de Oliveira Pereira, da Universidade do Minho; Doutora Margarida Maria Ferreira Diogo Dias Pocinho, da Universidade da Madeira; Doutor António Camilo Teles Nascimento Cunha, da Universidade do Minho; Doutora Maria Amália Martins Rebolo Marques, do Instituto Piaget – Almada; e o Doutor Lelio Lourenço, da Universidade Federal Juiz de Fora – Brasil. No final, o candidato foi aprovado por unanimidade.

Título da Tese: “Na escola, tu és feliz? Estudo sobre as manifestações e implicações do bullying escolar”

Resumo: O bullying infelizmente já não é novidade, nem para alunos, pais ou professores, nem para os próprios meios de comunicação social. Porém, a sua emergente investigação tem ainda um vasto caminho a percorrer até ser possível consolidar, internacionalmente, uma identidade comum deste problema. Com diferenças substantivas que provêm de variáveis culturais e/ou metodológicas, a realidade é que, até hoje, o bullying tem sido detetado em todos os países em que foi investigado. Em Portugal, o bullying, como fenómeno dissociado do conceito mais abrangente de violência escolar, ainda não é uma realidade indubitável no âmbito das políticas nacionais para o combate aos problemas de agressão e violência no meio escolar. A sua constante associação com outros comportamentos, igualmente reprováveis, como a indisciplina, o vandalismo, a marginalidade e outros tipos de agressividade, como que diluem a sua peculiar natureza insidiosa e fatídica. Esta investigação pretende contribuir para um maior conhecimento sobre as manifestações e implicações do bullying na população estudantil, para a descrição dos perfis característicos dos alunos que são vítimas e agressores e para a associação entre o bullying e aproveitamento escolar nas disciplinas de Educação Física, Português e Matemática, assim como, entre o bullying e a participação desportiva dos jovens. Este é um estudo analítico de delineamento transversal que incide sobre os comportamentos de bullying, numa amostra de 1.818 alunos, do 5° ao 9° ano de escolaridade, pertencentes a escolas públicas dos 2° e 3° ciclos da Região Autónoma da Madeira (R.A.M.). A média de idades situa-se nos 12,8 anos com um desvio padrão de 1,75. A amostra de acordo com o género é constituída por 914 raparigas (50,3%) e 904 rapazes (49,7%). Para a recolha de dados foi utilizado um questionário original de Olweus (1989), adaptado para a língua portuguesa e validado para a população escolar por Pereira e Tomás (1994 cit. em Pereira, 2008) e revisto para este estudo em 2010. Foram incluídas nesta adaptação questões relativas à Educação Física e à prática desportiva dos alunos. Considerando os resultados obtidos, podemos concluir que a agressão, verbal ou física, direta ou indireta, está disseminada nas relações interpessoais dos alunos e que os acompanha ao longo do seu percurso escolar até ao secundário. Embora a vitimização e a agressão mais frequentes registem ainda valores médios não alarmantes, tem na nossa opinião todas as condições para aumentar no futuro, dada a abrangência e estabilidade evidenciadas pelas expressões menos recorrentes e densas deste comportamento entre a população estudada. Por outro lado, o valor total de alunos envolvidos no bullying, como vitimas ou agressores, é consideravelmente elevado. Estatisticamente, as raparigas e os rapazes não diferem ao nível da incidência da vitimização, mas os rapazes estão significativamente mais envolvidos neste problema. Esta situação explica-se porque os rapazes quando envolvidos, assumem muito mais o papel de agressores ou vítimas agressoras, grupos que atingem níveis preocupantes. Foi possível comprovar que os alunos que relatam vivências de bullying possuem menor aproveitamento escolar do que os colegas que não relatam tais experiências. Na Educação Física, os alunos vitimados por este flagelo possuem menos gosto e mais dificuldade nesta disciplina e todos os jovens envolvidos (vítimas e agressores) possuem uma expectativa mais baixa em relação à importância dos conteúdos da mesma. Finalmente, da análise entre a participação em situações de bullying e a prática desportiva, concluímos que a influência do desporto não é tão relevante e benéfica como suponhamos. Contudo, após pesquisa mais aprofundada, percebemos que esta imagem menos positiva do desporto fica a dever-se, sobretudo, à predominância masculina entre os desportistas da amostra, assim como ao facto do futebol ser a sua modalidade de eleição.

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