Doutoramento em Estudos da Criança, especialidade de Saúde Infantil

Realizaram-se no dia 23 de março de 2012, às 14 horas, as Provas de Doutoramento em Estudos da Criança, especialidade de Saúde Infantil, requeridas pela Mestre Helena Rafaela Vieira do Rosário, tendo como orientadores a  Doutora Maria Beatriz Ferreira Leite de Oliveira Pereira e o Doutor Pedro Alexandre Afonso de Sousa Moreira. O júri foi presidido pelo Doutor Leandro da Silva Almeida tendo estado presentes os seguintes vogais: Doutor Pedro Alexandre Afonso de Sousa Moreira, da Universidade do Porto; Doutora Maria da Graça Ferreira Simões Carvalho, da Universidade do Minho; Doutora Maria Beatriz Ferreira Leite de Oliveira Pereira, da Universidade do Minho, Doutora Maria Isabel Augusta Cortes do Carmo, da Universidade de Lisboa; e a Doutora Beatriz Rodrigues Araújo, da Universidade Católica Portuguesa. No final, a candidata foi aprovada por unanimidade.

Título da Tese: “Excesso de peso e obesidade em crianças: implementação e avaliação de um programa de intervenção na escola”

Resumo: A investigação que aqui apresentamos estudou o impacte de um programa de intervenção, transmitido e intervencionado por professores com formação no âmbito da nutrição, na antropometria e consumo alimentar em crianças com idades compreendidas entre os 6 e os 12 anos de Guimarães. Participaram neste estudo randomizado quatrocentas e sessenta e quatro crianças de sete escolas primárias, três (cluster) das quais constituíram aleatoriamente o grupo de intervenção e quatro (cluster) o controlo. Desenvolvemos e implementámos um programa de intervenção entre Outubro de 2008 e Março de 2009 que incluiu formação para professores sobre ensino da alimentação saudável a crianças, de forma a que pudessem posteriormente, intervir como educadores junto das crianças. Os professores intervencionados tiveram doze sessões de formação de três horas cada ministradas quinzenalmente durante seis meses, cujos conteúdos foram os seguintes: nutrição e alimentação saudável (quatro sessões, doze horas); a importância da água (uma sessão, três horas); estratégias para potenciar o consumo de fruta e produtos hortícolas, bem como reduzir o consumo de alimentos de baixo valor nutricional e elevada densidade energética (três sessões, nove horas); estratégias para aumentar a atividade física (duas sessões, seis horas) e, atividades de culinária saudável (duas sessões, seis horas). Após cada sessão, os professores foram encorajados a desenvolver atividades com as crianças com base nos conteúdos abordados. A recolha de dados antropométricos, a avaliação alimentar e de atividade física, bem como o perfil sociodemográfico, foi concretizada nos grupos controlo e de intervenção antes e depois da implementação do programa. A investigação foi aprovada pelo conselho executivo das escolas onde decorreu, pela Comissão Nacional de Proteção de Dados, e foi registada no c/inica/tria/s.gov, NCT01397123. Os resultados mostram que ao longo do tempo: I) o aumento médio do IMC (z-score) das crianças do grupo de intervenção, foi significativamente inferior ao do grupo controlo, após ajuste para confundidores. Em consonância, a incidência do excesso de peso foi significativamente inferior no grupo de intervenção comparativamente com o controlo.

II) Avaliada a ingestão alimentar, o consumo de produtos hortícolas (total e de folha verde), fruta (total) e, fruta e produtos hortícolas foi significativamente superior no grupo de intervenção em relação ao controlo. A magnitude do efeito (effect sizes) do programa variou de baixo (cohen ‘ s d=0.12 em “outros vegetais”) a médio (0.56 em “Fruta e vegetais”) . III) A ingestão de alimentos sólidos de baixo valor nutricional e elevada densidade energética diminuiu no grupo de intervenção e aumentou no controlo. Esta diferença é significativa após ajuste para confundidores. Salientamos a eficácia do programa de intervenção na antropometria e consumo alimentar em crianças e mais investigação será necessária para saber se estes resultados podem ser reproduzidos ou melhorados, e eventualmente disseminados a outras escolas deste e de outros distritos escolares. A elevada prevalência do excesso de peso e obesidade observada na faixa etária em estudo interroga-nos sobre a necessidade de se intervir em idades inferiores a 6 anos. Em conclusão, o nosso programa e o envolvimento dos professores numa intervenção de educação alimentar com as crianças, apresenta resultados positivos no controlo do excesso de peso e na exibição de um consumo alimentar mais favorável à prevenção da obesidade. Palavras-chave: Programa de Intervenção, crianças, excesso de peso, obesidade, professores, nutrição, escola, fruta, produtos hortícolas, alimentos e bebidas de baixo valor nutricional e elevada densidade energética.

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