Doutoramento em Estudos da Criança, especialidade de Sociologia da Infância

Realizaram-se no dia  06 de Junho de 2011, às 14:30 horas, as Provas de Doutoramento em Estudos da Criança, especialidade de Sociologia da Infância, requeridas pelo Mestre Alberto Nídio Barbosa de Araújo e Silva, tendo como orientadores a Doutora Maria Beatriz Ferreira Leite Oliveira Pereira e o Doutor Manuel José Jacinto Sarmento Pereira. O júri foi presidido pelo Professor Doutor Leandro Silva Almeida e incluiu os seguintes vogais: Doutor Carlos Alberto Ferreira Neto, da Universidade  Técnica de Lisboa; Doutor João da Silva Amado, da Universidade de Coimbra; Doutor Albertino José Ribeiro Gonçalves, da Universidade do Minho; Doutora Maria Beatriz Ferreira Leite Oliveira Pereira, da Universidade do Minho, Doutor Manuel José Jacinto Sarmento Pereira, da Universidade do Minho; e o Doutor Almerindo Janela Gonçalves Afonso, da Universidade do Minho. No final, o candidato foi aprovado por unanimidade.

Título da Tese: Jogos, Brinquedos e Brincadeiras – Trajectos intergeracionais.

Resumo: Os jogos, os brinquedos e as brincadeiras são ferramentas imprescindíveis na construção da cultura lúdica das crianças. Nas práticas lúdicas das crianças concretiza-se, quase desde o dealbar de cada vida, uma boa parte do processo de socialização do indivíduo, vivido de forma autónoma pelos grupos de pares, gerador de competências sociais, de conhecimento do meio, de convivência, de partilha, de resiliência, de cumprimento de regras, de fruição de prazer, em suma, de enfrentamento das mais diversas e, por vezes, adversas situações vivenciais. A tese Jogos, Brinquedos e Brincadeiras – Trajectos Intergeracionais sustenta-se teoricamente na Sociologia da Infância para identificar a presença do lúdico no quotidiano das crianças, procurando assinalar contextos e realidades sociais distintas e discernir, na travessia dos tempos, as formas, os processos de transmissão, as ameaças e as possibilidades de brincar das crianças.

Através de uma investigação de natureza qualitativa, com a realização de entrevistas a membros das mesmas famílias de quatro gerações (filhos, pais, avós e bisavós), estabelecem-se rotas de acesso ao conhecimento sobre os modos como os jogos, os brinquedos e as brincadeiras têm realizado o seu percurso histórico, sobre os espaços-tempos da brincadeira, e sobre as práticas de permissão, transgressão e (re)produção do brincar, para, por meio desse conhecimento, aclarar as configurações sociais, atravessadas por desigualdades sociais e pela diversidade cultural, que permitem e ou inibem a afirmação das crianças como actores sociais e sujeitos produtores de cultura. Num mundo em mudança global muito acentuada, a cultura lúdica das crianças não poderia nele passar incólume nas suas seculares práticas. Identificar velhos e novos padrões lúdicos pode contribuir para equilibrar uma balança que, cada vez mais, parece pender para a perda do sentido de autonomia do movimento, da criatividade e do  próprio corpo da criança e para a subordinação a formas estandardizadas e mercantis do brincar.