Doutoramento em Estudos da Criança, especialidade de Comunicação Visual e Expressão Plástica

Realizaram-se  no dia 25 de outubro de 2011, às 14:30 horas, as Provas de Doutoramento em Estudos da Criança, especialidade de Comunicação Visual e Expressão Plástica, requeridas pela Mestre Susana Maria Sousa Lopes Silva, tendo como orientadoras a Doutora Maria Eduarda Ferreira Coquet e a Doutora Carla Maria Faria Alves Pires Antunes . O júri foi presidido pelo Professor Doutor Leandro da Silva Almeida e incluiu os seguintes vogais: Doutor António Modesto da Conceição Nunes, da Escola Universitária das Artes de Coimbra; Doutora Maria Eduarda Ferreira Coquet, da Universidade do Minho; Doutora Carla Maria Faria Alves Pires Antunes, da Universidade  do Minho; Doutor Paulo de Oliveira Freire de Almeida, da Universidade do Minho; e o Doutor Armindo Gil Maia e Silva, do Instituto Politécnico do Porto. No final, a candidata foi aprovada.

Título da Tese: “Ilustração Portuguesa para a Infância no Século XX e Movimentos Artísticos: Influências Mútuas, Convergências Estéticas”

Resumo: Este trabalho constituiu-se, num primeiro momento, como uma pesquisa alargada cuja finalidade seria a de obter uma imagem global da ilustração das produções literárias para a infância realizadas em Portugal a partir de meados do século xx. Desenvolveu-se, depois, centrando-se particularmente nas obras de Maria Keil e de Manuela Bacelar. Foram traçadas algumas estratégias baseadas em conceitos que pretendem desmistificar o papel secundário e de menoridade da ilustração que prevaleceu durante muito tempo em relação às chamadas artes maiores. Foram ainda tidos em linha de conta os desenvolvimentos sociais, científicos, tecnológicos e artísticos que, inevitavelmente, tiveram responsabilidade nas alterações
verificadas na ilustração do livro para a infância. Verificando-se a contaminação entre os referidos desenvolvimentos e a ilustração devido, por um lado, ao número de artistas, pintores, escultores e designers que realizavam, paralelamente, ilustração e, por outro lado, assistimos a uma evolutiva conquista por parte da ilustração de um estatuto próprio no campo das artes visuais. A ilustração cresce, então, numa hibridez que dilui fronteiras e que inclui o fazer de outras artes na construção da sua identidade. Podemos dizer que ela assume, no seu desenvolvimento, uma condição inclusiva que, ao absorver múltiplas influências se enriquece e afirma cada vez mais. A ilustração passa a ter visibilidade e abandona a presença discreta que vinha mantendo e que, por isso, permitiu a alguns artistas utilizá-la como veículo de expressão e experimentação. Assim, um grupo significativo de artistas tira partido de tais desenvolvimentos e multiplic

a sentidos nas imagens que cria para a infância, disseminando-os em milhares de imaginários. Foram, selecionados, para o efeito, alguns nomes que se destacaram a partir da segunda metade do século XX, por um percurso, marcado quer por um grande volume de trabalho no âmbito da ilustração, quer pela qualidade das propostas apresentadas, bem como pela duração e persistência das suas intervenções. Este percurso mostrou-se importante, não só por nos permitir uma maior perceção do que realmente ocupou o mercado e o imaginário coletivo português durante este período, como também para justificar a pertinência do estudo particular de duas ilustradoras referidas – Maria Keil do Amaral e Manuela Bacelar, como elementos fundamentais na definição da referida paisagem nacional. Esta opção deveu-se ao facto de, desde logo, o nome de ambas as ilustradoras sobressair, no panorama da ilustração nacional, num desempenho revelado pela frequência e diversidade de publicações, e sugerindo um pioneirismo que viríamos a confirmar.